quinta-feira, 4 de julho de 2013

OBSERVAÇÕES RELACIONADAS COM A EXUBERANTE ATIVIDADE DA "CONFABULAÇÃO FONÉTICA" OU "LINGUAGEM DOS PÁSSAROS" NAS OBRAS DE J.-P. BRISSET, R. ROUSSEL, M. DUCHAMP E OUTROS





a. Através de seu canto os pássaros
    comunicam uma comunicação
    na qual dizem que não dizem nada.


b. A linguagem dos pássaros
    é uma linguagem de signos transparentes
    em busca da transparência dispersa de algum significado.


c. Os pássaros encerram o significado do seu próprio canto
    na malha de uma linguagem vazia;
    malha que é a um só tempo transparente e irrompível.


d. Inclusive o silêncio que se produz entre cada canto
    é também um elo dessa malha, um signo, um momento
    da mensagem que a natureza diz a si mesma.


e. Para a natureza, não é o canto dos pássaros
    nem o seu equivalente, a palavra humana, mas o silêncio
    que, convertido em mensagem, tem por objetivo
    estabelecer, prolongar ou interromper a comunicação
    para verificar se o circuito funciona
    e se realmente os pássaros se comunicam entre eles
    através dos ouvidos dos homens
    e sem que estes se deem conta.






NOTA:

Os pássaros cantam em passarístico,
mas os escutamos em espanhol.
(O espanhol é uma língua opaca,
com um grande número de palavras fantasmas;
o passarístico é uma língua transparente e sem palavras).


Poema de Juan Luis Martínez (1942-1993). Do livro La Nueva Novela (1977).


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"Jaula con rejilla de alambre y gallo pegado a la pared de al fondo", obra de Juan Luis Martínez.