A poesia
dos poetas,
sim, poesia,
de vez em quando.
Caminho, por acaso,
sobre a terra,
de vez em quando?
Sou minha consciência
- com seus prodígios -,
de vez em quando?
Eu não respiro
de vez em quando.
Desenho e poema de David Rosenmann-Taub. Trata-se, o poema, de uma obra inédita em livro, escrita em 1936, quando o artista tinha oito ou nove anos. Vem a ilustrar - não simplesmente num sentido de servir de exemplo, mas de dar caráter e justificação poética - a declaração de Félix Guattari ao fim da conversa com Juan Luis Martínez, apresentada no post anterior: "Não sou eu [que tenho grande confiança na poesia e na linguagem], são as crianças, os apaixonados, os loucos, todos aqueles para quem a poesia é como o ar que se respira".


