Quando os Poemas y
Antipoemas de Nicanor Parra apareceram, em 1954, a impressão causada no pequeno
mundo literário chileno foi tremenda. Alguns já conheciam vários poemas do
livro, porque uma ou outra antologia os copiava de revistas, ou dos próprios
originais do poeta (a antologia de Sergio Atria, tão bem feita, trazia vários
poemas; o livro de Tomás Lago, sobre Tres Poetas, alguns outros; a antologia de
Zambelli, pouco lida, vários antipoemas). E no pequeno mundo santiaguino de
gente afetada pela poesia, afetada não, infectada, doente, sabia-se por meio de
conversas a respeito dos antipoemas e dos poemas de Parra: é professor
Matemática, dizia-se: vem de Chillán, estudou em Oxford. Complexo retrato de um
poeta adulto! Não publicou nada desde 1937, não quis. Pensávamos: não pôde.
Sabe?, nos diziam. Leu alguns poemas para um grupo de amigos; Neruda estava lá.
Ninguém gostou, todos riam das poesias de Parra.
Parágrafo inicial do artigo "Como um ferido a bala", de Armando Uribe Arce (1933), sobre o impacto e a recepção da poesia de Nicanor Parra.
