domingo, 7 de julho de 2013

Como um ferido a bala




Quando os Poemas y Antipoemas de Nicanor Parra apareceram, em 1954, a impressão causada no pequeno mundo literário chileno foi tremenda. Alguns já conheciam vários poemas do livro, porque uma ou outra antologia os copiava de revistas, ou dos próprios originais do poeta (a antologia de Sergio Atria, tão bem feita, trazia vários poemas; o livro de Tomás Lago, sobre Tres Poetas, alguns outros; a antologia de Zambelli, pouco lida, vários antipoemas). E no pequeno mundo santiaguino de gente afetada pela poesia, afetada não, infectada, doente, sabia-se por meio de conversas a respeito dos antipoemas e dos poemas de Parra: é professor Matemática, dizia-se: vem de Chillán, estudou em Oxford. Complexo retrato de um poeta adulto! Não publicou nada desde 1937, não quis. Pensávamos: não pôde. Sabe?, nos diziam. Leu alguns poemas para um grupo de amigos; Neruda estava lá. Ninguém gostou, todos riam das poesias de Parra.


Parágrafo inicial do artigo "Como um ferido a bala", de Armando Uribe Arce (1933), sobre o impacto e a recepção da poesia de Nicanor Parra.