A
juventude na imensidão do presente que lhe cabe
Oito
horas de viagem em velocidade normal para cruzar o maior lago
do mundo
Esse
rio de águas paradas que inunda o Castelo
Entre o
peso da noite às oito até a aparição cortada à faca do
amanhecer
Os
goliardos entre punk e new wave que trazem a Messalina no guidão de
sua bicicleta
Uma
Idade Média de ciclistas perdida na imensidão de um presente de
adereços
Os
filhos do tempo morto que só podem ser pródigos entregando-se -
corpos e almas - ao primeiro distúrbio.
No
lugar em que se acabam e fenecem os defuntos
A meio
caminho entre a morte e a vida
Gritam:
e vai cair.
Poema
de Enrique Lihn (1929-1988). Do
livro La aparición de la
virgen y otros poemas políticos (1987).

