quarta-feira, 24 de julho de 2013

O castelo




A juventude na imensidão do presente que lhe cabe
Oito horas de viagem em velocidade normal para cruzar o maior lago
           do mundo
Esse rio de águas paradas que inunda o Castelo
Entre o peso da noite às oito até a aparição cortada à faca do
           amanhecer
Os goliardos entre punk e new wave que trazem a Messalina no guidão de
           sua bicicleta
Uma Idade Média de ciclistas perdida na imensidão de um presente de
           adereços
Os filhos do tempo morto que só podem ser pródigos entregando-se -
           corpos e almas - ao primeiro distúrbio.

No lugar em que se acabam e fenecem os defuntos
A meio caminho entre a morte e a vida

Gritam: e vai cair.


Poema de Enrique Lihn (1929-1988). Do livro La aparición de la virgen y otros poemas políticos (1987).