sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ars poétique, deux




Porque escrevo estou assim. Por
Que escrevi porque escrevi 'es
Tou vivo', a poesia
Terminouu com-
                migo.
                       oco V á c u o
                gasto e in-nútil exer
Císio: "o adjetivo mata, Matta...!"
Fri-volidade ociosa, tediosa e
Esporádica
            -até certo ponto:

   sobrevivo a uma morte
   que se poderia viver. Aliáas,
a poesia
Me abandona ao meio dia;
                                    quando escrever,
não guie não
corra: há poesia em todo lugar
apenas para a g e n t e morrem
todas as coisas     o Sol:
                     sob      nada
Novo: decadentismo de terceira
mano a mano ficamos
a o a  a o          o         a o
                        os poetas
                                e
são uns pequeníssimos répteis:
nem alquimistas nem
                               pedreiros nem
alpinistas: desceram do monte
Olimpo, caíram da montanha
Russa ti-
raram a crista paaalavraaa
na noite mais nada
     na noite mais nada
          está em calma Poetry
May be Hazardous[1] to Your
Health
            Oh, Poesiiah!
            La nostra
Relação
                            k
                            a c a b a/
                            a  a






[1] Can Seriously Damage (it
       was determined so later than
                    the statement quoted supra)



Poema de Rodrigo Lira. Nascido em 1949, na cidade de Santiago do Chile, o poeta cometeu suicídio em 1981. Três anos depois, inicia-se a publicação póstuma dos seus poemas com o Proyecto de obras completas, com prólogo de Enrique Lihn, autor com o qual esse poema dialoga diretamente.