terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Unamo-nos




Unamo-nos pelos que ficaram para trás, pelos que não tiveram
pernas para correr, pelos que morreram cantando pela vida,
unamo-nos pela mãe que perdeu todos os filhos
e pelo pai que só teve tempo de recostar e morrer,
unamo-nos pelo amigo que não nos pôde abrir a porta porque
       estava acorrentado,
unamo-nos pela infância que não tivemos porque fomos jogados na
       rua,
unamo-nos pelo amor que nunca sorriu,
unamo-nos pelo sol que nunca esquentou,
unamo-nos pela casa que foi sempre tão fria,
unamo-nos pelo pão que foi sempre tão duro, unamo-nos
pela sucessão indestrutível dos anos,
pela exatidão de primaveras e trigos, unamo-nos
pelo encadeamento de águas e terras!


Poema de Efraín Barquero (1931). Do livro La piedra del pueblo (1954).